Reportagens > Fiscalização de recursos

Apenas metade das candidatas mineiras que prestaram contas à Justiça receberam verbas dos seus partidos

Publicada em 06/10/2018

Quase metade das candidatas mineiras não receberam recursos de seus partidos para realizarem suas campanhas. Levantamento realizado pela Campanha Libertas mostra que apenas 53% delas foram contempladas com verbas dos diretórios estaduais ou nacionais das siglas. Os números revelam também que, mesmo dentre aquelas que declararam terem obtido dinheiro das legendas, 4,5% receberam R$ 600 ou menos – uma delas conseguiu o repasse de somente R$ 190 de seu partido. Para as candidatas, os valores, irrisórios, não são suficientes para suprir as despesas necessárias para emplacar uma campanha competitiva.

A coleta de dados foi feita pela equipe Libertas na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nas prestações de contas parciais apresentadas à Justiça Eleitoral pelas candidatas mineiras até o dia 13 de setembro – primeira data oficial para a comunicação de receitas e despesas à Justiça. O levantamento foi concentrado entre os dias 17 e 25 de setembro, após a atualização dos dados na página pelo TSE.

A fiscalização de recursos foi uma das bandeiras da Campanha Libertas, que recebeu diversas denúncias de candidatas sobre a negligência dos partidos em relação ao financiamento de suas campanhas. O repasse ganhou ainda mais importância depois de o TSE decidir, em maio, que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, que possui dinheiro público, deveriam ser destinados às candidaturas femininas.

Dois meses antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia determinado que o mesmo deveria ocorrer para o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, o chamado Fundo Partidário. Mesmo com a definição sobre a cota para os dois fundos, a fiscalização por parte do Ministério Público Eleitoral e de outros órgãos de fiscalização só será feita depois das eleições, como a Libertas mostrou no início de setembro.

Lixo eleitoral. Crédito: Flavio Tavares

O levantamento

A metodologia da Campanha Libertas para a coleta dos dados levou em consideração os recursos repassados diretamente pelos diretórios estaduais e nacionais dos partidos às candidatas. Como o levantamento esteve concentrado entre os dias 17 e 25 de setembro, é possível que as informações disponíveis no site do TSE tenham sido atualizadas até a data de publicação desta reportagem.

[A Campanha Libertas é um coletivo independente e suprapartidário. Todos os nossos textos podem ser republicados gratuitamente, desde que não sejam editados e tenham a assinatura da repórter que escreveu e o link campanhalibertas.org. Quer ser um republicador e saber mais sobre as nossas pautas? Escreva para campanhalibertas@gmail.com]

Reportagens > De olho na propaganda

Candidatas não têm espaço nem tempo para falar

Publicado em 01/10/2018

Falta de apoio do partido para produzir material gráfico e divulgar a campanha. Assédio nas ruas, quando conseguem sair para panfletar. Pouca estrutura para apresentar e debater propostas nas redes sociais e também fora delas, como a Campanha Libertas mostrou em reportagem publicada na última semana. As mulheres disputam a corrida eleitoral em Minas Gerais aos trancos e barrancos. E, para completar, elas continuam tendo pouco tempo na televisão. A desvantagem na transmissão do horário eleitoral gratuito foi constatada em todos os quatro monitoramentos que a Libertas fez da propaganda no último mês.

A análise de quatro dias de horários eleitorais gratuitos constatou que as mulheres tiveram, na maioria dos partidos e coligações, menos de 30% que o tempo de fala dos homens. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as siglas deveriam reservar essa proporção à divulgação de postulantes femininas ao longo dos 35 dias da exibição. Nesse último monitoramento da reportagem, realizado no dia 19 de setembro (às 20h30), foi constatada a presença de 26 mulheres e 53 homens. Desse total, sete concorrem ao governo de Minas, 11 ao Senado e 61 ao cargo de deputado estadual. Ao todo, os candidatos tiveram 16 minutos e 27 segundos, contra 4 minutos e 40 segundos dedicados às candidaturas delas. O restante do tempo correspondeu a vinhetas e tela azul com a tarja “horário reservado para propaganda eleitoral gratuita”.

O tempo reservado a uma candidata do sexo feminino só foi superior ao de um homem que concorre ao mesmo cargo no caso de Dilma Rousseff (PT), que disputa uma vaga no Senado Federal. Ela teve 1 minuto e 50 segundos para apresentar sua história. Para esse posto, Fábio Cherem (PDT) foi o segundo a ter mais tempo, somando 1 minutos e 42 segundos para defender sua candidatura.

Reprodução Propaganda eleitoral gratuita

“Enxugando gelo”

A obrigatoriedade de inscrever mulheres candidatas acaba fazendo com que os partidos coloquem na disputa mulheres ainda sem viabilidade política, acredita Wederson Siqueira, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), que criticou a determinação das cotas isoladamente. Para Siqueira, nos casos de cargos eletivos via sistema proporcional, elas acabam sendo “puxadoras de votos” de homens com trajetória consolidada.

“Não adianta simplesmente cumprir um requisito formal que, efetivamente, não será cumprido”, argumentou o especialista sobre o perigo das candidaturas laranjas. Em reportagem especial sobre esse tema, a Libertas constatou que um terço das candidatas mineiras “não existem” na internet. Isso significa que elas podem ser simplesmente laranjas ou que terão muita dificuldade em se eleger, já que não são vistas online e nem na televisão.

O projeto da Campanha Libertas surgiu em julho passado com o objetivo maior de dar visibilidade às candidatas mineiras justamente por entender essa desvantagem delas na corrida eleitoral, apesar das leis que tentam garantir igualdade de oportunidades – mas que ainda não vêm sendo efetivas. Para isso, lançamos um mapa com todas as cerca de 700 postulantes mulheres do Estado e uma planilha com seus perfis e links encontrados em nosso levantamento, além das respostas aos questionamentos que enviamos para todas via formulários digitais.

Foto: Flavio Tavares

Representatividade distante

Segundo levantamento de 2013 da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, a porcentagem de candidatas eleitas desde a obrigatoriedade do cumprimento de cotas, em 2009, não mudou muito se comparada com o pleito anterior. Em 2006, do total de representantes eleitos para ocupar as Assembleias estaduais e distrital, 88,4% eram homens e 11,6% eram mulheres. Em 2010, primeiro ano com a mudança na lei, a proporção continuou quase a mesma: 86,7% contra 13,3%.  

Já para o cargo federal, a quantidade de eleitas representou a mesma nos dois pleitos: 8,8% do total da Câmara de Deputados eram mulheres. O número só melhorou em 2014, quando 51 candidatas foram escolhidas e passaram a ser 9,9% do total de vagas. “A grande transformação que vamos ter sobre a participação da mulher na política é o estabelecimento de cadeiras mínimas por sexo. Quando nós fizermos essa transformação, aí sim nós vamos garantir melhor representatividade”, avaliou Siqueira.

Veja como foi o tempo da propaganda eleitoral em 19 de setembro na parte da noite:

Governador

6 candidatos: 8 minutos e 50 segundos

1 candidata: 14 segundos

Senador

8 candidatos: 4 minutos e 34 segundos

3 candidatas: 1 minuto e 56 segundos

Deputado estadual

39 candidatos: 4 minutos e 8 segundos

22 candidatas: 2 minutos e 28 segundos

[A Campanha Libertas é um coletivo independente e suprapartidário. Todos os nossos textos podem ser republicados gratuitamente, desde que não sejam editados e tenham a assinatura da repórter que escreveu e o link campanhalibertas.org. Quer ser um republicador e saber mais sobre as nossas pautas? Escreva para campanhalibertas@gmail.com]

Reportagens > Especiais

Propostas para mulheres só são detalhadas em um dos oito programas que disputam o governo de Minas

Publicado em 15/09/2018, atualizada em 18/09/2018

Os últimos anos têm sido marcados pela luta das mulheres para a garantia de direitos e da própria sobrevivência. Em 2017, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) de Minas Gerais, 433 mulheres foram vítimas de feminicídio e mais de 145 mil ocorrências de violência doméstica foram registradas. No campo trabalhista, as mineiras receberam quase R$ 500 a menos que os homens, de acordo com levantamento feito pelo IBGE. Em âmbito nacional, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que 48% das mães deixam seus empregos nos primeiros 12 meses após ter filhos, motivadas pela falta de auxílio, carência de creches e ausência de espaços para amamentação. São perceptíveis as inúmeras dificuldades e falta de apoio governamental que as mulheres precisam enfrentar para se firmar na sociedade e transpor as barreiras do machismo estrutural.

Neste ano eleitoral, muitos candidatos têm voltado suas estratégias de campanha para a população feminina, uma vez que as mulheres representam mais da metade dos eleitores e grande parte dos ainda indecisos sobre o voto. No entanto, apesar dos discursos pelas mulheres, nem todos os postulantes ao governo de Minas de fato dão espaço a elas em seus projetos de governo. A Campanha Libertas analisou os planos e propostas governamentais de oito dos nove candidatos ao cargo, já que Alexandre Flach (PCO) não disponibilizou o documento ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) – ele teve a candidatura indeferida pela Justiça. Veja o resultado:

1 candidata traz propostas específicas para as mulheres: Dirlene Marques (PSOL).

4 candidatos destacam a importância de pensar propostas para as mulheres, mas não especificam quais as maiores urgências ou como colocá-las em prática: Adalclever Lopes (MDB), Antonio Anastasia (PSDB), Fernando Pimentel (PT) e Jordano Metalúrgico (PSTU).

3 candidatos não apresentam nenhuma proposta para quaisquer questões relacionadas às mulheres: Claudiney Dulim (Avante); João Batista Mares Guia (Rede) e Romeu Zema (Novo).

Confira a análise de cada plano:

Adalclever Lopes (MDB) (Veja aqui o programa)
O substituto do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda na corrida pela cadeira refere-se às pautas das mulheres em apenas um trecho de seu programa. No eixo “Assistência e Inclusão Social”, o candidato promete que, se eleito for, irá promover “programas e ações para combater a violência doméstica, com a implementação de programas para proteção e apoio às vítimas”.

Antonio Anastasia (PSDB) (Veja aqui o programa)
Em seu “Plano Minas Gerais/ Resgatar a dignidade dos mineiros”, o candidato do PSDB não se aprofunda em discussões referentes à mulher. Anastasia destaca que é preciso desenvolver ações dentro da estrutura do governo que priorizem a integridade física das mulheres, seu acesso ao mercado de trabalho, assistência pré e pós-natal e, conforme o documento, “assistência ao seu papel dentro da família”. Ainda que ressalte tais questões, o candidato não mostra caminhos para colocar as propostas em prática.

Claudiney Dulim (Avante) (Veja aqui o programa)
O candidato do Avante, partido estreante na disputa, não apresenta nenhuma medida específica que possa auxiliar as mulheres em qualquer instância em seu projeto de governo.

Dirlene Marques (PSOL) (Veja aqui o programa)
Única mulher na disputa, Dirlene Marques dedica boa parte de seu plano de governo para questões referentes a maiores segurança e qualidade de vida para a população feminina. Leia abaixo mais detalhes das propostas de Dirlene.

Fernando Pimentel (PT) (Veja aqui o programa)
Candidato à reeleição, o atual governador Fernando Pimentel lista a garantia de direitos e o compromisso com a equidade como princípios norteadores de sua administração. Apesar de falar sobre a importância do combate à violência contra as mulheres, Pimentel não aponta formas de solucionar o problema.

João Batista Mares Guia (Rede) (Veja aqui o programa)
Candidato do partido da presidenciável Marina Silva, que tem traçado discursos voltados para as mulheres, Mares Guia não menciona políticas públicas para este grupo em seu plano de governo.

Jordano Metalúrgico (PSTU) (Veja aqui o programa)
As principais diretrizes indicadas pelo PSTU no plano do candidato dizem respeito à necessidade de instaurar uma revolução socialista. Apenas um dos trechos do documento é dedicado às mulheres. Há a exibição dos dados de violência contra a mulher em Minas Gerais, mas não são elencadas estratégias de combate.

Romeu Zema (Novo) (Veja aqui o programa)
Representante do Partido Novo na corrida pelo governo do Estado, Romeu Zema não direciona promessas para populações femininas.

Única candidata é quem dedica atenção extensa às mulheres

Em uma chapa composta apenas por mulheres não seria surpresa que a população feminina fosse contemplada com mais ênfase no plano de governo. Na primeira vez em que disputa o cargo de governadora de Minas, a candidata do PSOL, Dirlene Marques, tem a seu lado a candidata a co-governadora (termo usado pelo partido para substituir “vice-governadora”) Sara Azevedo, da mesma legenda. O projeto registrado pelas duas no TRE-MG expõe importantes discussões sobre os movimentos LGBT, indígena, negro e feminista, e promete tratá-los com prioridade em um possível governo.

Sobre as mulheres, as candidatas defendem desde o enfrentamento às desigualdades de gênero até a despatologização da identidade de mulheres trans – movimento que denuncia a psiquiatrização e a violência dos procedimentos médicos em relação a essa parcela da população. No texto, as palavras “mulher” e “mulheres” aparecem 74 vezes, e há definições claras de como o Estado deve agir para apoiar a população feminina.

Dirlene Marques em entrevista à Campanha Libertas – Crédito: Lara Alves

Entre as propostas da chapa estão:

– Promoção da justiça de gênero por meio de práticas de participação e cidadania ativa mensuradas por indicadores produzidos pelos núcleos de estudos de gênero existentes nas universidades públicas do Estado;
– Combate às várias formas de opressão das mulheres, sobretudo a violência de gênero e o feminicídio, por meio da aplicação de leis e de mecanismos que reprimam qualquer tipo de violência e que favoreçam a libertação das mulheres – e de seus familiares – das situações que as oprimem;
– Promoção do direito ao trabalho via concursos públicos com cotas para as mulheres e inclusão do quesito igualdade de gênero para pontuação nos editais para os contratos públicos, consultorias e outras formas de convênio do Estado;
– Capacitar profissionais para a prevenção e o atendimento às situações de violência doméstica e sexual com enfoque em direitos humanos e relações de gênero, raça/etnia, orientação sexual e deficiência e relações de classe;
– Adoção de política de saúde para mulheres trans, lésbicas e bissexuais.

Em outras chapas que disputam o governo mineiro, a presença de mulheres como candidatas a vice-governadora não garantiu que as propostas ao público feminino tivessem mais espaço. Os candidatos Adalclever Lopes, Fernando Pimentel e Jordano Metalúrgico têm mulheres na retaguarda da corrida eleitoral, mas seus planos pouco se debruçam sobre as urgências dessa população.

O outro lado

A reportagem enviou e-mails para as assessorias de cada partido que tem candidatos na disputa pelo governo, garantindo o direito de resposta, há cerca de duas semanas. Ainda não obtivemos todos os retornos, mas, conforme os candidatos forem apresentando seus posicionamentos, suas respostas serão acrescentadas a esta matéria.

Durante uma sabatina com o candidato João Batista Mares Guia (Rede) realizada pelo portal BHAZ no último dia 5, que contou com a participação da Campanha Libertas, o postulante respondeu que a contenção do aumento de casos de feminicídio se dá pelo viés educacional desde a pré-escola. Ele foi questionado também sobre a dificuldade de mulheres que se tornaram mães recentemente se reinserirem no mercado de trabalho. Mares Guia explicou que uma de suas propostas é auxiliar mães jovens, que poderão trabalhar nas escolas em que estudam e terão vagas garantidas em creches para seus filhos, para evitar a evasão escolar.

A assessoria de Romeu Zema (Novo) respondeu à Campanha Libertas destacando que o candidato trabalhará com dois principais eixos para apoiar as mulheres em um possível governo: redução do alto índice de feminicídios e criação de creches para facilitar a reinserção da mulher no mercado de trabalho. Apesar disso, o candidato, que não cita quaisquer políticas para as mulheres em seu plano de governo, não detalhou propostas práticas para a resolução dos problemas. “O estado pode ser um agente para fomentar parcerias público-privadas com creches, acompanhando o desempenho da criança e o tratamento oferecido. Com a queda da natalidade, vejo que existe um espaço a ser preenchido. Muitas escolas estão sendo subutilizadas, com espaços que poderiam estar sendo adaptados e transformados para outros fins”, diz trecho da nota enviada à reportagem.

Atualização: 

Após a publicação dessa reportagem, a assessoria do candidato Fernando Pimentel afirmou, em documento enviado à Campanha Libertas, que o combate à violência contra a mulher continuará como uma prioridade no caso de uma possível reeleição. “O enfrentamento à violência contra a mulher tem sido uma diretriz do meu governo”, apontou o candidato em nota. Segundo sua assessoria, Pimentel pretende dar continuidade ao Programa Mediação de Conflitos e à reorganização do SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Além disso, projetos como o Alerta MG – em que as vítimas podem acionar uma rede de contatos online em caso de risco – e a 1ª Companhia de Polícia Militar Independente de Prevenção à Violência Doméstica Contra as Mulheres (PVD) devem ganhar destaque em um novo governo.

Já a assessoria do candidato Antonio Anastasia informou, em resposta enviada por e-mail, que os caminhos apontados no documento enviado ao TRE-MG são apenas “diretrizes”. O candidato alega que o plano de governo está sendo produzido “em diálogo com diversos movimentos sociais” e “contemplará ações específicas de políticas públicas para mulheres”.

Para a construção dessa reportagem, a Campanha Libertas fez a análise dos planos de governo cadastrados pelos candidatos no TRE-MG. Inicialmente, havíamos classificado Adalclever Lopes e Antonio Anastasia como candidatos que apresentam propostas para as mulheres, mas em uma reanálise dos planos ficou claro que ambos mencionam, porém não detalham suas propostas para o público feminino. Neste sentido, Dirlene Marques é, de fato, a única a apresentar projetos e propostas específicas e detalhadas para as mulheres em seu plano de governo. A reportagem foi atualizada com a nova classificação no dia 18 de setembro.

[A Campanha Libertas é um coletivo independente e suprapartidário. Todos os nossos textos podem ser republicados gratuitamente, desde que não sejam editados e tenham a assinatura da repórter que escreveu e o link campanhalibertas.org. Quer ser um republicador e saber mais sobre as nossas pautas? Escreva para campanhalibertas@gmail.com]

Reportagens > Libertas Fiscaliza

Candidatas do PRTB denunciam falta de apoio do partido

Publicado em 14/09/2018

Quase um mês após o início oficial da campanha eleitoral, e a 23 dias de seu término, diversas candidatas a deputada federal do PRTB alegam não ter recebido nenhum apoio do partido para sair às ruas para pedir votos. Preocupadas com sua situação, elas se reuniram para uma manifestação na sede do PRTB na última quarta-feira (12), na região da Pampulha. No entanto, segundo as postulantes, o grupo não pôde ao menos ficar na recepção da legenda. “Quando é para fazer a cota de mulheres, eles prometem mundos e fundos. Mas, depois, é aqui na rua”, reclamou a candidata a deputada federal Mary Ellen.

Segundo Marcela Costa, que também tenta ser deputada federal, na época da formação da chapa, em junho, o partido recebeu com atenção as mulheres interessadas em se candidatar. O PRTB assegurou, em encontros presenciais com as postulantes, confeccionar material de campanha, gravar propaganda eleitoral e organizar eventos beneficentes e leilões para arrecadar recursos.

No entanto, ainda de acordo com Marcela Costa, a legenda parou de atender às ligações do grupo após o registro de suas candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Para conseguir meu santinho, tive que ‘dobrar’ com um candidato de outro partido”, alegou. A dobra acontece quando dois postulantes se unem para produzir material de divulgação em conjunto.

Mary Ellen também alega que o partido, em nenhum momento, comentou sobre os 30% do Fundo Partidário que devem ser destinados às mulheres candidatas. “Fui eu que comentei sobre esse fundo da mulher, mas até agora eles não me deram nenhum retorno”, afirmou.

Candidatas em protesto na porta do partido. Foto: Divulgação

Após a manifestação de quarta, o PRTB, segundo as candidatas, se comprometeu a disponibilizar, até a próxima segunda-feira (17), material de campanha para as postulantes a deputada federal. Nenhuma das duas candidatas ouvidas pela reportagem têm prestação de contas registradas no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.

PRTB não atende à solicitação de posicionamento

Desde a data da manifestação, a reportagem da Campanha Libertas tem tentado entrar em contato com o diretório mineiro do PRTB, via telefone e e-mail. A equipe da legenda atendeu a quase todas as nossas ligações, feitas em horários distintos do dia, mas não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

Em um primeiro momento, o PRTB disse que a presidente do partido em Minas, Rita del Bianco, nos concederia uma entrevista. Mas até a publicação desta matéria, a legenda não ofereceu nenhum posicionamento.

O texto será atualizado caso o partido forneça resposta oficial.

[A Campanha Libertas é um coletivo independente e suprapartidário. Todos os nossos textos podem ser republicados gratuitamente, desde que não sejam editados e tenham a assinatura da repórter que escreveu e o link campanhalibertas.org. Quer ser um republicador e saber mais sobre as nossas pautas? Escreva para campanhalibertas@gmail.com]

Reportagens > De olho na propaganda

Apesar de cumprida, legislação eleitoral ainda é ineficaz para fomentar candidaturas femininas

Publicado em 07/09/2018

A disputa eleitoral tem demonstrado o que é visto cotidianamente na sociedade: as mulheres têm menos voz. O segundo monitoramento da propaganda eleitoral gratuita na TV, feito pela Campanha Libertas, mostra, no caso mais discrepante, que o MDB, na exibição de seus dois candidatos a deputados estaduais – um de cada gênero -, dedicou 32 segundos de fala ao homem enquanto a mulher teve apenas 3 segundos, cerca de 8% do tempo total da inserção.

Mesmo quando a lei é cumprida, ainda há uma diferença no tempo de fala entre homens e mulheres. Outro exemplo é o PSOL, que exibiu dois homens e duas mulheres como candidatos a deputado estadual durante a propaganda, dispensou apenas 2 segundos para as candidatas, enquanto eles discursaram por 4 segundos. O partido cumpriu a legislação que prevê o mínimo de 30% do tempo para as postulantes mulheres, mas as análises revelam que a regra ainda não consegue instaurar algo próximo à igualdade entre gêneros.

O monitoramento da Campanha Libertas foi feito na última segunda-feira (3), no horário de 20h30. De um modo geral, o tempo entre as candidaturas femininas e as masculinas se mostrou equilibrado, considerando a proporção entre elas. Além disso, partidos como PTC, PSC, PTB e Solidariedade distribuíram o tempo igualitariamente, impactando na contagem total e contribuindo para esse equilíbrio.

O tempo total das falas das candidatas a deputada estadual foi de 2 minutos e 21 segundos, enquanto os postulantes ao mesmo cargo receberam 4 minutos e 32 segundos nas propagandas dos partidos. Só que enquanto 35 desses eram homens, apenas 23 eram mulheres, ou seja, elas representavam 40% das candidaturas. Se o tempo total das propagandas dos partidos foi de 7 minutos, a proporção mostrou que a amostragem analisada atendeu à norma, destinando mais que 30% do tempo às mulheres.

Propaganda eleitoral gratuita

Segundo decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos ou coligações devem reservar 30% do tempo na propaganda eleitoral às candidaturas femininas de suas legendas ou grupos políticos ao longo de todos os 35 dias de exibição.

Na contagem geral, ao fim dos 35 dias, será considerado o tempo dos candidatos de todos os cargos. Neste monitoramento da Campanha Libertas é feita a contagem apenas por amostragem. Mesmo que o total do tempo de uma propaganda por partido a um cargo determinado ainda se mostre distante de cumprir os 30% previstos em lei, isso não significa, necessariamente, que a norma não está sendo obedecida.

Confira como foi a distribuição do tempo dos candidatos a deputado estadual nas propagandas dos partidos:

O monitoramento foi feito na propaganda eleitoral gratuita veiculada na TV no dia 3 de setembro

PSOL
2 candidatas: 2s
2 candidatos: 4s
Tempo total: 6s

PTC
1 candidata: 2s
1 candidato: 2s
Tempo total: 4s

PSC
1 candidata: 6s
1 candidato: 6s
Tempo total: 12s

MDB
1 candidata: 3s
1 candidato: 32s
Tempo total: 35s

PRB
1 candidata: 17s
Tempo total: 17s

PV
1 candidata: 16s
Tempo total: 16s

PDT
1 candidato: 17s
Tempo total: 17s

Podemos
1 candidato: 15s
Tempo total: 15s

Solidariedade
1 candidata: 6s
2 candidatos: 9s
Tempo total: 15s

PTB
1 candidata: 6s
1 candidato: 6s
Tempo total: 12s

PMN
1 candidato: 12s
Tempo total: 12 s

PT
4 candidatas: 30s
8 candidatos: 58s
Tempo total: 1min28s

PR
1 candidata: 8s
2 candidatos: 15s
Tempo total: 23s

PROS
1 candidato: 9s
Tempo total: 9s

PCdoB
2 candidatas: 6s
1 candidato: 3s
Tempo total: 9s

PSDB
2 candidatas: 15s
4 candidatos: 32s
Tempo total: 47s

DEM
1 candidata: 8s
2 candidatos: 17s
Tempo total: 25s

PPS
1 candidata: 9s
1 candidato: 8s
Tempo total: 17s

PSD
1 candidata: 9s
3 candidatos: 25s
Tempo total: 34s

PP
1 candidata: 6s
2 candidatos: 18s
Tempo total: 24s

23 candidatas: 2m21s
35 candidatos: 4m32s
Tempo total: 6m53s

COLIGAÇÕES

Nas propagandas das coligações com os candidatos a deputado estadual, a proporção se mostra semelhante à das propagandas dos partidos. Foram exibidas 18 candidaturas femininas e 31 candidaturas masculinas, com tempo somado de fala de 2 minutos e 21 segundos, e 4 minutos e 32 segundos, respectivamente. Ou seja, um terço do tempo total dos programas foi destinado às mulheres, que proporcionalmente representam 36% das candidaturas.

Coligação Renovação (Patriotas, PMB, PTC)
1 candidata: 2s
1 candidato: 2s
Tempo total: 4s

Coligação Partido Social Cristão (PSC)
1 candidata: 6s
1 candidato: 6s
Tempo total: 12s

Coligação Juntos por Minas (PDT, PSB, PRB, PV, MDB, Podemos)
3 candidatas: 36s
3 candidatos: 1min4s
Tempo total: 1min40s

Solidariedade
1 candidata: 6s
2 candidatos: 9s
Tempo total: 15s

Coligação Para Renovar Minas (PTB, PMN)
1 candidata: 6s
2 candidatos: 18s
Tempo total: 24s

Coligação Minas a Frente (PT, PR)
5 candidatas: 38s
10 candidatos: 1min13s
Tempo total: 1min51s

Coligação Juntos para reconstruir Minas (DEM, PP, PPS, PSD, PSDB)
6 candidatas: 47s
12 candidatos: 1min40s
Tempo total: 2min27s

18 candidatas: 2m21s
31 candidatos: 4m32s
Tempo total: 6m53s

A exibição da propaganda eleitoral vai até o dia 4 de outubro. Conforme a Lei das Eleições (9.504/97), às segundas, quartas e sextas são exibidas as propagandas dos candidatos aos cargos de governador, senador e deputado estadual, e às terças, quintas e sábados, as dos postulantes à Presidência e a deputado federal. Em todos os dias os horários de exibição na TV são a partir das 13h e das 20h30.

[A Campanha Libertas é um coletivo independente e suprapartidário. Todos os nossos textos podem ser republicados gratuitamente, desde que não sejam editados e tenham a assinatura da repórter que escreveu e o link campanhalibertas.org. Quer ser um republicador e saber mais sobre as nossas pautas? Escreva para campanhalibertas@gmail.com]