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Desafios da candidatura

“A dificuldade não é trazer as mulheres, mas fazer com que elas fiquem sem sofrer o assédio dos homens”

Presidente do MDB Mulher de Minas conta os desafios da representação feminina em seu partido, e defende a necessidade de que elas tenham mais autonomia política

Por:
Marcela Káritas
Foto: Candidatas do MDB Mulher Nacional. Maria Aparecida Moura, presidente em Minas, veste calça azul e blazer florido. Foto: Divulgação MDB Nacional

Publicado em 27/09/2018

Uma filiada ao MDB tinha tudo para conseguir uma votação expressiva neste ano para conquistar uma cadeira de deputada federal. Em seu perfil, sobravam requisitos para uma candidatura competitiva. Ela tinha vivência no núcleo feminino de Minas Gerais, havia participado de outras campanhas e era reconhecida na região onde vive pelo trabalho social que desenvolve na área da saúde. Lançou-se como pré-candidata, e se sentia preparada para o desafio. Mas o seu sonho acabou antes mesmo do início da corrida eleitoral. “Um deputado federal homem a vetou na chapa, sem motivo algum”, revela a presidente do MDB Mulher Minas, Maria Aparecida Andrade Moura.

Situações como essa ocorrem constantemente, segundo a presidente do MDB Mulher, e são um dos maiores desafios para garantir a real inserção da mulher no cenário político. Maria Aparecida relata que quando uma liderança feminina desponta como candidata passa a ser assediada pelos homens, que chegam a oferecer diversas vantagens para assegurar que ela não dispute as eleições. Para eles, é mais vantajoso que elas sejam apenas seus cabos eleitorais. “Temos que descobrir uma fórmula para fazer com que os homens deem licença de verdade para que elas sejam candidatas”, analisa.

Para Maria Aparecida, um dos principais entraves para mudar esse cenário é a falta de autonomia das mulheres. “Somos respeitadas por nosso trabalho, mas ainda somos sacrificadas, porque são eles que decidem”, comenta.

Todas as legendas são obrigadas por lei a destinar 5% do Fundo Partidário a ações que incentivem a participação feminina na política. Neste ano, essa porcentagem totalizou R$ 44,4 milhões. O montante tem que ser dividido entre todos os partidos regularizados no Tribunal Superior Eleitoral, de acordo com as regras dispostas em lei.

O dinheiro chega ao MBD Mulher, mas, na prática, ainda é necessário validar com os homens, que comandam de fato a legenda e a forma como o recurso será distribuído. “Não temos autonomia financeira, porque a lei e o estatuto do partido não permitem. Dependemos do favor e do reconhecimento dos homens”, afirma Maria Aparecida.

Mulheres preparadas

Mesmo com todas as dificuldades, o MDB Mulher de Minas Gerais se orgulha de ter conseguido formar, para as eleições de 2018, um grupo de pré-candidatas maior do que as vagas destinadas para elas. Para Maria Aparecida, esse é o resultado de um trabalho que não acontece apenas no período eleitoral.

Segundo a presidente, as filiadas ao MDB são estimuladas a participar de encontros regionais, rodas de conversa, cursos de formação política e a estar presentes na vida partidária. As candidatas que concorrem neste ano também participaram de capacitações e têm acesso a  consultorias da legenda. Ainda que com atraso, elas também receberam o recurso dos 30% do Fundo Especial destinados às mulheres. “Antes, elas dependiam de alianças até para fazer santinho. Hoje, estão usando esse dinheiro, mesmo ele sendo pouco em relação ao valor que os homens receberam”, diz Maria Aparecida.

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