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Representatividade

Candidatas do PSDB de Minas iniciam trajetória política

Ala tucana dedicada às mulheres garante ajuda na preparação para a disputa, mas verba para elas concorrerem fica a desejar

Por:
Marcela Káritas
Foto: Marcela Káritas

Publicado em 09/09/2018

Minas Gerais não tem uma mulher do PSDB eleita como deputada desde 2010. Nas eleições de 2014, o partido conseguiu eleger sete representantes na esfera federal e nove na estadual, todos homens. É esse o cenário a ser revertido no pleito de 2018 pela ala tucana dedicada ao sexo feminino, que está sob nova gestão. A presidente atual, Walewska Barros Abrantes, assumiu o posto em abril deste ano, após a saída da então presidente, Gláucia Brandão – que trocou de partido para concorrer como deputada estadual.

Nos primeiros meses à frente do PSDB Mulher, Walewska se dedicou à tarefa de criar um grupo complementar de candidatas, com bandeiras específicas. Saúde, educação e empreendedorismo aparecem como pautas principais das 20 postulantes que concorrerão em 2018. “Contamos com candidatas que representam a sociedade em suas diversas especificidades”, detalhou.

Em entrevista à Campanha Libertas, a presidente do PSDB Mulher explicou que todas as candidatas contam com assessor próprio, além de apoio de contador e advogado. Elas também participaram de cursos sobre oratória, políticas públicas e responsabilidades de cada esfera de poder. As capacitações foram feitas em parceria com o Instituto Teotônio Vilela (do próprio partido) e com a fundação política alemã Konrad Adenauer.

Parceria x enfrentamento

Esse movimento feminino no partido tem sido recebido com surpresa pelos candidatos homens. Muitos filiados perguntaram sobre a necessidade da lei de cotas, sem perceber como a representação feminina nos cargos públicos ainda é falha. “Estamos conduzindo esse processo de forma parceira, e não com enfrentamento. Assim, a aceitação fica mais positiva”, comentou Walewska.

Apesar disso, as postulantes ainda sofrem com a falta de projeção. Nenhuma delas têm padrinho político ou trajetória recente em algum cargo eletivo. Para a presidente do PSDB Mulher, o fato de elas não estarem inseridas na esfera pública as coloca atrás na corrida eleitoral. “Quem está no poder é visto mais vezes”, opinou.

Walewska Barros Abrantes, presidente do PSDB Mulher de Minas (Crédito: Marcela Káritas)

Mineiras sem dinheiro

Em seu site, o PSDB destaca o fato de ter sido o primeiro partido a acatar, em junho, à legislação que garante às mulheres 30% das vagas de candidatos, dos recursos do Fundo Partidário e do tempo de televisão – ainda que isso fosse obrigação de todos, prevista em lei.

Os critérios para a distribuição do recurso financeiro na legenda foram estabelecidos durante reunião da Executiva Nacional. O repasse será maior para aquelas que já estiveram em cargos eletivos, já disputaram eleições ou já conduziram trabalhos relevantes em cargos públicos. Nessa conta, as 20 tucanas mineiras inexperientes já saíram perdendo. “Elas ainda necessitam de maturidade política”, justificou Walewska, já que as candidatas de outros Estados devem receber mais dinheiro.

Ainda que as postulantes de Minas não alcancem o cargo público almejado, o PSDB Mulher do Estado acredita que está em um caminho sem volta. “A gente precisa tomar frente e fazer uma construção permanente”, completou Walewska. Nas próximas eleições, em 2020, o objetivo é continuar rumo ao aumento da representação feminina. “Pode ser que algumas candidatas tenham votação baixa, mas todas foram preparadas para disputar e têm o acolhimento do partido. Não temos candidatas laranja”, garantiu.

*Errata: Atualizamos essa matéria em 10/09/2018 para corrigir a seguinte informação: Minas Gerais já teve mulheres do PSDB eleitas como deputadas em outros pleitos, diferentemente do que informamos na primeira versão deste texto. As últimas eleitas foram Ana Maria Resende e Elbe Brandão. Elas exerceram o mandato até 2010, no cargo de deputada estadual.

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